17 de outubro de 2013

Tento nem saber, mas....


Não parece do tão bom tão bom, mas talvez exista no meio disto tudo alguma coisa de tão bom tão que eu não esteja a ver neste momento...

Tento nem saber o estado deste pais, que tanto amo e me viu nascer e pelo que me parece não me quer ver morrer. Sem querer mas até rimou e eu nem rimas sei fazer.

Não vejo as noticias nem leio os jornais para não ficar triste com um pais e uma sociedade que tanto amo e que me quer expulsar a mim e à maior parte dos jovens e pessoas activas deste pais, até os politicos nos mandam emigrar.

Amo as minhas raizes, os meus amigos, o cheiro a mar e o sol que este pais tem à beira do mar, isso é tão bom tão bom.

Somos  um dos paises que ganhamos pior e que pagamos pelos nossos bens tanto ou mais que os outros paises europeus. Ainda à dias uma filha de emigrante me disse, adoro vir cá de ferias, mas para viver não dava é tudo muito caro.  Ela vive num pais que o salario minimo é mais ou menos triplo do nosso.

Como é que nós vivemos, nós não vivemos, nós sobrevivemos. Os centimos são contatos até ao ultimo e mesmo assim não chega, não à cinema nem jantares fora, nem passeios,  para a maioria de nós e mesmo assim temos que juntar o dinheiro das ferias para complentar as despesas do mês, fica de lado um pouquinho para todos os meses combater as faltas. Roupas, só quando o rei faz anos, ou aparecem as promoções com 50% mas o ideal é 75% o que é raro. O subsidio de Natal é para os seguros da casa e do carro, para os que ainda conseguem ter carro. Agora com taxas e impostos extra como vamos fazer? 

Vamos embora pensamos nós, mas o aperto no coração é tão forte, a saudade já aperta, existem pessoas despegadas das familias e amigos, mas nós não, somos muito apegados aos nossos amores. Só de pensar da-me vontade de chorar...

As crianças ficam sem raizes por perto, sem os avós, sem os tios e sem os primos. A lingua não será o problema que as crianças aprendem rapido e a maior parte de  nós sabe minimamente uma ou duas linguas estranjeiras. Mas começamos a imaginarmo-nos lá isolados sem nenhum familar nem amigo por perto. Custa imaginar e o custa mais é que sentimos que estamos a ser expulsos do nosso pais que tanto gostamos.

O que será de um pais quando a maior parte das pessoas com valor tenham ido embora, estão a fechar empresas, lojas, cada vez à mais desemprego, desemprego não é só das estatisticas do centro de emprego que esses numeros são manipulados conforme se quiser. Uma pessoa está inscrita no centro de emprego e se não aceitar três propostas, sai das estatisticas e nem sempre as propostas são lá grande coisa. Se não tiver direito a receber subsidio também não entra nas estatisticas. O problema é mesmo esse passamos a ser números, meros custos e esqueceram-se que somos pessoas, com sonhos e vontade própria.

No meu caso por exemplo uma vez ofereceram-me para motorista de uma creche, para uma loja de perfumes e para atendimento num balcão qualquer  a ganhar o ordenado minimo. Receitas ordenado minimo, para ir trabalhar teria de meter a criança na creche, no meu caso é uma mas à muitas pessoas com mais, mas só a creche ronda os 400€, tirar passe é cerca de 80€, comer fora e ter de comprar roupa para andar um pouco mais apresentavel.... enfim sai das estatisticas e fiquei em casa com a criança, porque senão tinha mais despesa do que receitas, já para não falar que iam ao ordenado do marido, pois o agregado passava a ser dois titulares e não um. Depois pensamos, devia ir trabalhar senão não tenho descontos para quando estiver velhota, pior dos cenários já nem isso garantem e querem que trabalhemos até morrer.

Enfim parece que não nos querem cá e como a minha mãe provavelmente com a lagrima a saltar-lhe do olho, onde  nos tratam bem é que é a casa.

Tão bom tão bom, o sol está a brilhar lá fora!

Célia Cordeiro