Tento nem saber o estado deste pais, que tanto amo e me viu nascer e pelo que me parece não me quer ver morrer. Sem querer mas até rimou e eu nem rimas sei fazer.
Não vejo as noticias nem leio os jornais para não ficar triste com um pais e uma sociedade que tanto amo e que me quer expulsar a mim e à maior parte dos jovens e pessoas activas deste pais, até os politicos nos mandam emigrar.
Amo as minhas raizes, os meus amigos, o cheiro a mar e o sol que este pais tem à beira do mar, isso é tão bom tão bom.
Somos um dos paises que ganhamos pior e que pagamos pelos nossos bens tanto ou mais que os outros paises europeus. Ainda à dias uma filha de emigrante me disse, adoro vir cá de ferias, mas para viver não dava é tudo muito caro. Ela vive num pais que o salario minimo é mais ou menos triplo do nosso.
Como é que nós vivemos, nós não vivemos, nós sobrevivemos. Os centimos são contatos até ao ultimo e mesmo assim não chega, não à cinema nem jantares fora, nem passeios, para a maioria de nós e mesmo assim temos que juntar o dinheiro das ferias para complentar as despesas do mês, fica de lado um pouquinho para todos os meses combater as faltas. Roupas, só quando o rei faz anos, ou aparecem as promoções com 50% mas o ideal é 75% o que é raro. O subsidio de Natal é para os seguros da casa e do carro, para os que ainda conseguem ter carro. Agora com taxas e impostos extra como vamos fazer?
Vamos embora pensamos nós, mas o aperto no coração é tão forte, a saudade já aperta, existem pessoas despegadas das familias e amigos, mas nós não, somos muito apegados aos nossos amores. Só de pensar da-me vontade de chorar...
As crianças ficam sem raizes por perto, sem os avós, sem os tios e sem os primos. A lingua não será o problema que as crianças aprendem rapido e a maior parte de nós sabe minimamente uma ou duas linguas estranjeiras. Mas começamos a imaginarmo-nos lá isolados sem nenhum familar nem amigo por perto. Custa imaginar e o custa mais é que sentimos que estamos a ser expulsos do nosso pais que tanto gostamos.
O que será de um pais quando a maior parte das pessoas com valor tenham ido embora, estão a fechar empresas, lojas, cada vez à mais desemprego, desemprego não é só das estatisticas do centro de emprego que esses numeros são manipulados conforme se quiser. Uma pessoa está inscrita no centro de emprego e se não aceitar três propostas, sai das estatisticas e nem sempre as propostas são lá grande coisa. Se não tiver direito a receber subsidio também não entra nas estatisticas. O problema é mesmo esse passamos a ser números, meros custos e esqueceram-se que somos pessoas, com sonhos e vontade própria.
No meu caso por exemplo uma vez ofereceram-me para motorista de uma creche, para uma loja de perfumes e para atendimento num balcão qualquer a ganhar o ordenado minimo. Receitas ordenado minimo, para ir trabalhar teria de meter a criança na creche, no meu caso é uma mas à muitas pessoas com mais, mas só a creche ronda os 400€, tirar passe é cerca de 80€, comer fora e ter de comprar roupa para andar um pouco mais apresentavel.... enfim sai das estatisticas e fiquei em casa com a criança, porque senão tinha mais despesa do que receitas, já para não falar que iam ao ordenado do marido, pois o agregado passava a ser dois titulares e não um. Depois pensamos, devia ir trabalhar senão não tenho descontos para quando estiver velhota, pior dos cenários já nem isso garantem e querem que trabalhemos até morrer.
Enfim parece que não nos querem cá e como a minha mãe provavelmente com a lagrima a saltar-lhe do olho, onde nos tratam bem é que é a casa.
Tão bom tão bom, o sol está a brilhar lá fora!
Célia Cordeiro